segunda-feira, 2 de março de 2015

ASPECTOS DO JAINISMO

  



Vardhamana Mahavira foi contemporâneo de Buda, Confúcio e Lao-tse. Os jainistas acham que Mahavira (o Grande Herói) foi o último dos 24 homens santos (jinas, vencedores) que viveram antes que ele. Isso quer dizer que os jainistas acreditam que Vardhamana Mahavira foi o último Tirthankara do atual ciclo de tempo cósmico. Um Tirthankara é uma pessoa que conseguiu romper o ciclo de nascimento, vida e morte. 

A filosofia e prática jainista enfatiza a necessidade de esforços para libertar a alma da matéria e guiá-la para uma consciência superior a fim de se atingir a libertação (Moksha). Os jainistas acreditam que o homem é absolutamente dono de seu destino. 

Para eles todo o universo está vivo, sendo assim, o universo também possui uma alma. As pedras, as plantas, os animais, as nuvens, o sol, etc. fazem parte do universo e, portanto, há que os respeitar. Devido a isso, um dos pilares do Jainismo é o conceito de não violência (ahimsa), um princípio supremo. Princípio esse que deve ser aplicado tanto para os pensamentos, as palavras e as ações. A maior transgressão que um jainista pode cometer é causar dano a um ser vivo, seja homem ou inseto.

O símbolo do jainismo é a “mão jaina”, que está associado ao conceito da não violência (ahimsa). A mão com uma roda na palma simboliza o Voto Jainista de Ahimsa. A palavra no centro da roda quer dizer “ahimsa”. A “mão jaina” significa a decisão de deter o ciclo da reencarnação através da busca incessante da verdade e da não violência. 




Mão jaina


Essa prática da não violência (ahimsa), através dos tempos, propiciou que os jainistas, historicamente, se dedicassem mais aos negócios e ao comércio do que à agricultura (eles dizem que trabalhando no campo, lavrando a terra, forçosamente, matariam muitos insetos) e pecuária. A população jainista por ser formada por um grande contingente de empresários e comerciantes, estes e suas famílias costumam ter uma alfabetização e educação muito superior a média indiana. Os jainistas habitualmente são pessoas dinâmicas e empreendedoras em todas as áreas onde atuam. Importantes jainistas participaram na construção e desenvolvimento da Índia desde sua independência, isto em 1947. As comunidades jainistas estão fortemente organizadas em instituições de caridade que apoiam iniciativas culturais e educativas. São, também, de certa maneira, consideradas “lobbies” (lobby ou grupo de pressão é um grupo de pessoas ou uma organização que tem como atividade buscar influenciar, aberta ou secretamente, decisões do poder público, especialmente do poder legislativo, em favor de determinados interesses privados). 

O jainismo chegou a ser em vários estados da Índia religião oficial, mas depois da invasão muçulmana no país a situação modificou. Estima-se que exista atualmente entre 4 a 7 milhões de jainistas na Índia. Estes espalhados pelos estados de Bengala, Rajastão, Maharastra, Gujarat e Karnatka. Pese o seu reduzido número de adeptos, se comparada com a população indiana, sua influência na política, na economia e na cultura é considerável. 


A adoração é um ato de respeito, de consideração, de reconhecimento que algo ou alguém tem valor ou vale a pena. Posto isso, apesar de os jainistas não terem um Deus a quem adorar, eles oferecem culto aos 24 Tirthankaras. Os Tirthankaras foram seres humanos comuns que conseguiram escapar dos ciclos de renascimentos e ensinaram aos outros como, também poderiam escapar desse ciclo. Tirthankara em sânscrito quer dizer “fazedor de vau”. A palavra é sinônimo de Jina que quer dizer “vencedor”. Vardhamana Mahavira é considerado um Tirthankara pelos jainistas. Os devotos jainistas, oferecem reverência a esses seres em função do que foram e do que fizeram. Os devotos não oram pedindo, graças, ajuda, favores (eles sabem que um Tirthankara, um ser que alcançou a liberação está além de tais atividades); oram desejando, apenas, se tornar mais parecidos com eles para que assim, também, possam chegar ao mesmo destino. 


Como os jainas cultuam seus ídolos? 

Nem todas as seitas jainistas adoram da mesma maneira. Há algumas seitas dentro das duas principais divisões jainistas (Svetambara e Digambara) que não utilizam imagens ou ídolos de pedra (estatuetas). Estas seitas são: o Taranapantha, Sthanakvasi e Tera phanti. Para essas a ênfase é colocada no estudo das Escrituras, nas orações silenciosas e na meditação. Para os jainistas que utilizam imagens e estatuetas a adoração diária pode ocorrer em qualquer espaço sagrado em casa ou em um templo da comunidade. Essa reverência, esse culto independente de onde se realize – no lar ou no templo - é chamado de “puja”. O “puja” em casa se dá do seguinte modo: geralmente numa prateleira ou mesa que serve de altar há pelo menos um ídolo ou estatueta. O devoto toma banho, veste-se com roupas brancas ou uma roupa adequada à ocasião, entra no recinto e diz em frente ao ídolo “Namo Jinanam”, que significa “Eu me curvo ao Jina”. Após essa saudação repete a palavra “Nisihii” três vezes para ajudar a remover pensamentos indesejados e trazer o foco para o culto. Já concentrado o devoto recita o mantra mais importante da fé jainista que é o Mantra Namokar. O mantra Namokar é complemento de outro mantra. O mantra quando recitado em suas primeiras 5 linhas chama-se Mantra Pancha (panch – 5), quando recitado com as 9 linhas chama-se Mantra Namokar ou Mantra Navkar (nav – 9). Eis o mantra: 



Namo Arihantanam 
Namo Siddhanam 
Namo Ayariyanam 
Namo Uvajjhayanam 
Namo Loe Savva-sahunam 
Eso Panch Namokaro 
Savva pavappanasano 
Manglananch Savvesim 
Padhaman Havei Mangalan 


 MANTRA NAVKAR OU MANTRA NAMOKAR 

Namo Arihantanam – Eu me curvo a Arihanta 
Namo Siddhanam – Eu me curvo a Siddha 
Namo Ayariyanam – Eu me curvo a Acharya 
Namo Uvajjhayanam – Eu me curvo a Upadhyaya 
Namo Loe Savva-sahunam – Eu me curvo a Sadhu e Sadhvi 
Eso Panch Namokaro – estes cinco gestos de veneração 
Savva pavappanasano – destroem todos os pecados. 
Manglananch Savvesim – Entre tudo que é auspicioso 
Padhaman Havei Mangalan - este Navkar Mantra é o mais valioso.

O “puja” ou ato de adoração pode ser mais simples ou mais elaborado; isso fica a critério de cada devoto. Alguns preferem praticar este ritual fazendo orações silenciosas; orações essas que enaltecem as virtudes dos respectivos ídolos e que prometem a observância dessas virtudes por parte de quem ora. É comum também a prática da meditação para realização do culto. Quem visita o templo, ou quem tem ídolos de pedra em casa pode circundar a estatueta três vezes e realizar o “puja Snatra”. 

O “puja Snatra” ou também chamado de “Snatra Mahotsav” é um cerimonial onde se realizam oferendas tais como arroz, doces, panchamrita – que é uma bebida feita com mel, açúcar, leite, iogurte e ghee (um tipo de manteiga) - flores e frutas (que devem ter caído de forma natural), espelhos, moedas, joias, etc. para o ídolo em questão. No “puja Snatra também a adoração é feita com músicas e danças. Outra característica dessa adoração é que o arroz ofertado é muitas vezes apresentado na forma de uma  figura. Essa figura é a suástica, que representa os quatro tipos de renascimento: como seres celestiais, como humanos, como criaturas inferiores e como criaturas do inferno. Três pontos estão em cima do símbolo de quatro faces. Esses pontos representam as Três Jóias do jainismo: Fé correta, Conhecimento correto e Conduta correta. Acima dos três pontos é um ponto final e um crescente que simboliza libertação (moksha).



 Suástica Jaina

Nenhum comentário:

Postar um comentário