quarta-feira, 17 de junho de 2015

INTROSPECÇÃO IMPARCIAL - Pujya Gurudevshri Rakeshbhai


INTROSPECÇÃO IMPARCIAL

Prédica de Pujya Gurudevshri Rakeshbhai



 

Pujya Gurudevshri Rakeshbhai


O Começo da Viagem Espiritual


Primeiramente o candidato deve olhar para dentro de si e reconhecer o seu eu verdadeiro. Somente aquele que esta disposto a romper com sua imagem e abandonar o uso de máscaras pode viajar para dentro de si  e perceber o que, realmente, é.

Uma pessoa pode visitar um templo com regularidade e não ser um amante de Deus; talvez seja mais um amante dos prazeres sensuais. Uma pessoa pode praticar caridade, no entanto, talvez, seja gananciosa. Uma pessoa pode observar jejuns, no entanto seu desejo ávido por alimentos pode não ter diminuído, em absoluto. Uma pessoa pode empreender viagens e mais viagens e, no entanto, ainda não se cansou da transmigração de sua alma. Uma pessoa só pode descobrir a verdade quando olha para dentro de si.

Os iluminados dizem que você esconde tanto de si mesmo para si mesmo que você não é mais capaz de perceber o que você realmente é. Não esconda nada de si próprio. Resgate-se para a luz da consciência; este desmascaramento marca o início de sua peregrinação espiritual. Com um espírito aventureiro, aventure-se a conhecer-se. A medida que você se familiarizar com a realidade do seu próprio eu, sua vida começa a mudar radicalmente. Você descobre que fica difícil viver com suas falhas. Você sente que conviver com suas falhas torna-se tão doloroso que fará um esforço sincero para livrar-se delas. As imperfeições somente tem durabilidade porque você as protege e as mantêm escondidas.

Deixe absolutamente claro o que você é e o que você não é. Somente você pode ter esta visão sobre si mesmo. Ninguém mais poderá fazer isso por você. Somente aquele que é capaz de introspecção sem qualquer preconceito e com manifesta disponibilidade para reconhecer os seus erros é qualificado para a libertação. Isso exigirá muita coragem de sua parte, porque seu ego se recusará a ser eliminado; ele suscitará um motim. Mas a medida em que for se tornando puro, devido à introspecção imparcial  e a aceitação de suas debilidades, você experimentará o silêncio extraordinário, a paz, a coragem e a alegria em seu interior. A semente de genuína ânsia de libertação brotará. Sua vida ascenderá e ficará preenchida com o Divino. Aquele que tem coragem para observar seus próprios padrões de pensamento, extirpar suas falhas e dissolver o seu ego, com certeza, alcançará a libertação.




O Homem Preso a Dualidade


A mente humana está presa na dualidade e sofre devido a isso. O homem sofre porque fica confuso entre o que ele é e o ele que deveria ser. Seu pensamento, desejos e inclinações seguem o que ele é; no entanto suas palavras e o seu comportamento estão em conformidade com o que ele acha que deveria ser. Desse modo ele projeta uma imagem de si mesmo que o leva à dualidade e a hipocrisia. Enquanto existir essa divisão dentro dele e a menos que elimine essa dualidade, ele não terá paz e nem progredirá espiritualmente. Portanto, como um buscador da libertação, sua primeira obrigação é reconhecer, de imediato, o que ele é verdadeiramente.


Do lado de fora de um estúdio de fotografia uma placa anunciava: 



"Aqui tiramos sua fotografia. Temos três tipos:
- fotografia de como realmente você é
- fotografia de como gostaria que os outros o vissem
- fotografia de como desejaria ser"

Um aldeão visitando aquela cidade leu o anúncio e, curiosamente, perguntou ao dono da loja: "Quem iria querer o segundo ou o terceiro tipo de imagem? Não seria natural querer o primeiro?" O fotógrafo respondeu: "Não! Na verdade, as pessoas vêm aqui para obter o segundo e o terceiro tipo porque elas acham que assim ficam melhores. E o senhor, qual delas prefere?" O aldeão respondeu prontamente: "O primeiro tipo." O fotógrafo ficou espantado: "Nunca entrou alguém aqui que quisesse uma foto assim." O homem decididamente, então falou: "Eu quero o primeiro tipo porque eu quero a minha imagem, não a imagem de uma outra pessoa."




Mascarando os Defeitos


Quando o homem olha para dentro de si, descobre instintos animais. Infelizmente, seu ego não permite que aceite esta realidade pois a imagem ideal que tem em mente sobre si mesmo não corresponde com esse real estado bruto e selvagem. Uma vez assim, ele tem duas opções: ou esforça-se para aceitar sua verdadeira imagem ou passa a usar uma máscara. A primeira  opção envolve uma grande quantidade de trabalho, por isso ele prefere escolher a segunda, achando que é mais fácil. Só que, retratando-se como muito melhor do que é de fato ele cria dualidade em sua vida. 


O ser humano fica tão espantado quando a verdadeira realidade lhe é revelada que ele usa máscaras em cima de máscaras para encobrir a fera que existe nele. Como as situações mudam as máscara que utiliza, de igual modo, mudam também; ele tem uma máscara para usar quando está na frente de seu patrão, outra quando está com sua esposa, outra quando está com os filhos e muitas outras quando está com os pais, os amigos, seus mestres espirituais, empregados... e, até mesmo, usa uma máscara quando está sozinho. Tudo isso faz com que ele sofra constantemente de ansiedade e stress.


O homem quando vê avareza em si mesmo, torna-se caritativo com os outros e, dessa maneira, consola-se dizendo que não é ganancioso. Mas, na verdade, sua inclinação de cobiçar riqueza permanece a mesma. Quando fica irritado, ele inventa mil desculpas por assim estar e proceder; o interessante é que não se pergunta por que não evita esse comportamento feroz dali por diante. Enfim prefere se ocupar adornado-se com máscaras... e desse modo vive uma vida de fingimentos e enganos... à toa.




Desmascarando os padrões de pensamento


Se você está desejoso de libertação, deve destruir as falsas imagens que criou sobre si mesmo e aceitar a realidade dos fatos, agora. Isso não é algo tão difícil. Basta começar a conhecer-se. Pode parecer que não, mas o uso de máscaras é difícil; tirá-las não é. Torna-se difícil apenas quando você não está disposto a fazê-lo; quando, por temer a sua fealdade, você prefere viver na ilusão. Só que você não percebe que camuflando essa sua fealdade, nem ela é destruída, nem ela se torna bonita. É tudo maquiagem.  


Examine as suas inclinações. Analise a natureza de seus defeitos. No momento em que surgirem suas fraquezas conscientize-se delas, examine-as como se desenvolvem e averigue quando desaparecem. Anote suas tendências  durante esse tempo e procure corrigir seus defeitos. Se fugir da realidade  você será empurrado por suas inclinações e, quando elas forem más, se moverá, meramente, para criticá-las. Acontece que escondendo-as, justificando-as ou criticando-as elas não serão destruídas. Pelo contrário, elas permanecerão quietas, em silêncio, por algum tempo, porém, depois, surgirão com mais força. Ser vigilante e ampliar a consciência da realidade presente, aí, começa a transformação. Ao reconhecer e aceitar o animal que existe em seu interior você se torna destemido. Esse destemor traz o ímpeto de querer romper o processo de identificação com essas inclinações e padrões de pensamento. A partir daí nasce o observador, a testemunha e, isso, traz transformação real. Mas você tem que experimentar se quiser conhecer a verdade.




Experiências com a Realidade


Tome uma emoção ou uma inclinação: por exemplo, você acredita na não-violência - quer ser não violento - e considera a violência algo deplorável e pecaminoso. Agora, monitore os seus padrões de pensamento por 24 horas para descobrir quando e onde a violência surge. Quando surgirem pensamentos de violência, apenas aceite ser violento. Você perceberá que foi violento quando falou palavras duras para o seu ajudante, puxou as orelhas do seu filho, discutiu com o lojista, competiu com alguém e assim por diante. Lembre-se, você terá que praticar a consciência - o estar consciente em tempo integral - então não tente escapar. Esteja presente.


Você ficará surpreendido ao ver que a medida que cresce a sua consciência com respeito as suas inclinações violentas, essas inclinações, lentamente, começam a diminuir e são substituídas por inclinações de não violência. Todas as negatividades - como a violência surgem apenas por causa de seu desconhecimento. Quando sua energia não se dissipa em tais negatividades, devido a prática da consciência - estar consciente delas - essa energia concentra forças para que a alma evolua. Ela abre um caminho para a libertação, constrói  uma ponte para conectá-lo com o Divino.


Assim, a consciência por si só é o Dharma (caminho para a Verdade superior), o esforço e a determinação de um buscador da libertação. Aquele que desperta para esta dimensão de consciência alcança a paz sem precedentes, um oceano de néctar, torrentes de felicidade e realização do Eu.


Que a força do ser de Param Krupalu Dev Shrimad Rajchandra traga essa consciência para dentro de nossas vidas.


Que a luz da consciência brilhe em nossos corações removendo a escuridão de todos os defeitos.


Que todos progridam no sentido da libertação.




Nenhum comentário:

Postar um comentário